HOMILIA DO PADRE EDILSON DA PÁSCOA DE 2016.

CONCLUSÃO DA SEMANA SANTA: UM MISTÉRIO DE EXCESSOS

 Inspiro-me num escrito do Cardeal Martini, de veneranda memória, onde ele fala da paixão de Cristo como “um mistério de excessos”. Diria um mistério de exageros, extremismos, radicalismos. São cinco os excessos descritos pelo referido autor.

Primeiro: um excesso de sofrimento humano. Os sofrimentos de Jesus foram de diversos tipos: físico, psicológico, espiritual e moral. Experimentou a solidão, a rejeição, a tribulação. Ele é o pastor ferido que fez a experiência do medo, do abismo e do nada.

A maré imunda do pecado penetra a alma de Jesus. Sofreu sob o poder da mentira, da soberba, da astúcia e da atrocidade. Treme, tem suor de sangue, porque sente pavor e angustia. Reza entre brado e lágrimas. Na sua paixão Jesus se lembrou de cada um de nós, por nós sofreu e se entregou. “Ele me amou e se entregou por mim” escreve o Apóstolo Paulo. “Na sua paixão Jesus lembrou-se de mim” (B. Pascal).

Segundo: um excesso de maldade humana. Jesus passou por interrogatórios ilegítimos, falsos. Foi preso, algemado, torturado, além de esbofeteado diante do Sumo Sacerdote. As autoridades são arbitrárias, o Sinédrio e o Império mostram-se instituições decadentes, rejeitam o verdadeiro Messias

A multidão é manobrada, Judas e as falsas testemunhas são compradas, os soldados são sádicos. Jesus sente o horror, a perfídia, a imundície do mal. Crueldade, selvageria, malvadez, atrocidade, desprezo, humilhação, animalidade constituem o “excesso de maldade humana” na paixão do Senhor. Jesus, porém, vence tudo isso com a oração, a entrega ao Pai, a força da Palavra, a serenidade e paz interior. Perdoa os algozes e acolhe o bom ladrão. Eis a escola, a “ciência da cruz”. Jesus vence o poder do mal com o poder do bem.

Terceiro: um excesso de injustiças. Jesus é inocente, passou fazendo o bem, nada fez para o privilegio próprio, elevou os humildes, perdoou os pecadores, promoveu os pobres e excluídos. Foi marcado para morrer porque revelou-se Filho de Deus, e tocou nas chagas e feridas das injustiças humanas.

 Sofreu oposição, rejeição, abandono e neste contesto de corrupção religiosa e política foi processado, julgado e executado na cruz como malfeitor, perigoso, maldito. Eis o “excesso de injustiça” de ontem que hoje também se repete.

Quarto: um excesso de amor: ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. Jesus justo e santo carregou nossas culpas e restituiu-nos a inocência. Eis o amor louco, sem medidas, indescritível e incondicional de Deus. Eis o que é o amor aos inimigos, o máximo do amor, o puro amor, que se expressa na  doçura, mansidão, paciência, fineza, misericórdia de Jesus.

Quinto: um excesso de transcendência. Na verdade, a paixão de Jesus é uma revelação do amor trinitário para a salvação do mundo. O Pai envia o Filho e o Espírito Santo ajuda Jesus carregar a cruz (cf. Hb. 9,14). Foi na cruz que Jesus se entregou filialmente ao Pai e derramou o Espírito Santo.

Deus sofre a dor humana porque ama o mundo e cada pessoa individualmente. Da cruz vem toda luz, toda graça, toda salvação. Os santos meditando diante do crucificado exclamam: “Isso é o amor. É assim que se ama”. Deixem-nos amar pelo amor trinitário.

Queridos irmãos e irmãs;

Neste domingo, depois de termos trilhado o caminho da Semana Santa, celebramos a Páscoa do Senhor. Páscoa que, para os Judeus, significava a ida à Terra Prometida, mas, para nós cristãos, é celebrar a vida em abundância.

Em Jesus, a morte, que parecia ter a palavra final, foi desmoralizada. Muitos líderes e poderosos viveram e morreram, mas somente o túmulo de Jesus se encontrava vazio.

A morte que, era poderosa, tornou-se frágil. A maior e mais terrível força já existente, que ameaçava a integridade e dignidade do ser humano, foi vencida uma vez por todas pela Ressurreição de Jesus.

Celebrar a Ressurreição é sairmos de nós mesmos e nos colocarmos a serviço de todos, principalmente, daqueles que têm suas vidas desfiguradas pelo sofrimento.

 Celebrar a Ressurreição é devolvermos aos sofredores a dignidade perdida. Como Deus glorificou o corpo de seu Filho Jesus, nós também devemos buscar, pela nossa solidariedade e compaixão, fazer com que as pessoas possam experimentar a alegria e bondade. Eis a Páscoa do Ano Santo da Misericórdia!

Amados e amadas no Senhor;

Páscoa é sair de nós ao encontro do outro e nos colocar a caminho para anunciar, por meio de nossas ações, Jesus Cristo ressuscitado. O mundo precisa tanto dessa boa notícia. Que sejamos a boa nova na vida das pessoas.

Que todos nós sejamos, de fato, na força do ressuscitado, um novo ser, para fazer acontecer a vida em abundância.

De coração, agradeço a todos e a todas que caminharam conosco, nesses dias santos, recordando os Passos do Senhor, preparando a Festa Pascal: O nosso Bispo, os Padres que atenderam as Confissões, as Equipes: Liturgia, O Coral e os Cantores, das Ornamentações e de Apoio. Os nossos Cerimoniários e Coroinhas e os ossos dedicados funcionários. A todos o meu abraço de Páscoa e o desejo de caminharmos sempre juntos!

Ao Povo Católico de Valença que, expressando sua fé, participou em grande número e com piedade de todos os Atos da Semana Santa, os nossos parabéns, pelo belíssimo testemunho de amor à Cristo e adesão à Igreja.

O Senhor Ressuscitou! A Vida é maior! Eis o Cristo, nossa Páscoa!

Amém! Aleluia!

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