ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA – HOMILIA DE CONCLUSÃO DA FESTA DE NOSSA SENHORA DA GLÓRIA DO ANO MARIANO (PE. EDILSON).

Irmãos e irmãs:

Permitam-me, antes de louvar a Deus pelo bom termo de nossa Festa da Glória do Ano Mariano, apresentar alguns pensamentos, sobre as Leituras Bíblicas de hoje:

 

A Festa da Assunção de Maria é a festa da assunção da Igreja. Maria colabora com o mistério da redenção, associando-se a seu Filho (LG 56). Sua assunção é figura do que acontecerá com todos os seguidores de Jesus, ou seja, com a Igreja, no fim dos tempos. Porque Maria não é apenas a imagem (o reflexo), mas também, a imagem típica (o protótipo) da Igreja, que deve ser o que Maria é. E, enquanto peregrina neste mundo, a Igreja tem Maria como um sinal “até que chegue o Dia do Senhor” (LG 68).

O que celebramos na festa de hoje é a vitória de Cristo sobre todos os poderes que tentam impedir o Reino de Deus de progredir no mundo. Tendo Maria como sinal, celebramos, pois, a vitória da Igreja inteira sobre a morte e o pecado.

I leitura (Ap 11,19a; 12,1.3-6a.10ab): estava grávida, em dores de parto

 

A principal personagem que aparece no grande sinal do céu não tem sua identidade imediatamente revelada pelo livro do Apocalipse; ela é chamada, apenas, de “mulher”. Somente no desenrolar da narrativa, é que sua identidade fica clara.

A mulher é adornada pelos astros que a envolvem. Isso significa que ela é a coroação de todas as obras da criação. Essa representação alude ao sonho de José, filho de Jacó (Gn 37,9), interpretado pelos sábios judeus como referência à vinda do reino de Deus, onde tudo, na natureza e na história, estaria submetido ao poder do Senhor.

Em oposição à mulher, está a figura tenebrosa do dragão descrito com características horripilantes, adornado pelos principais símbolos do poder humano: chifres e diademas. O significado dessa figura nos é dado pelo texto de Dn 7,24: trata-se dos governantes dos impérios; são os poderes do mundo.

O dragão intenta fazer mal à mulher, mas esta é levada para o deserto, lugar que Deus lhe tinha preparado, e ali ela é cuidada.  Então, a mulher representa o novo povo de Deus. A Igreja, comunidade dos seguidores de Cristo, enquanto aguarda a segunda vinda do Senhor, suporta as dificuldades do deserto (situação que o novo povo de Deus esperou para entrar na terra prometida).

Enquanto essa cena se desenrola na terra, especificamente no deserto, uma voz proclama que há uma nova realidade no céu: ali o reino de Deus já acontece plenamente (v. 10). Cristo, o ser humano plenificado e vitorioso, é a garantia de nosso acesso ao céu. Isso significa que a mulher, que ainda permanece no deserto, pode ter a certeza da vitória em sua luta contra o dragão.

A Igreja reconhece nessa mulher, também, a figura de Maria, nossa Mãe.

II leitura (1Cor 15,20-27a): foi levado para junto de Deus

A Lei, em Dt 26,2, exigia que os primeiros frutos (as primícias) fossem oferecidos ao Senhor para expressar a gratidão do agricultor e o reconhecimento de que Deus era o responsável pela colheita. Quando o israelita oferecia os primeiros frutos a Deus, estava agradecendo pela colheita inteira. Os primeiros frutos saídos da terra eram parte da colheita; e tão certo quanto as primícias eram a colheita, a ressurreição de Cristo é a garantia de nossa ressurreição nele.

Cristo, primícias dentre os mortos, ascendeu ao céu e ofertou a si mesmo a Deus como o representante de seus seguidores, ou seja, da Igreja que ascenderia depois d’Ele. Mas Cristo não é somente o primeiro, na ordem do tempo, que ressuscitou dos mortos; é mais que isso: é o principal no que se refere à dignidade e à importância, conectado com todos os demais que vão ressuscitar. Cristo é o homem ressuscitado! E nossa ressurreição é a partir d’Ele. Portanto, nossas esperanças não são vãs, nossa fé não é inútil, e nós não seremos desapontados.

Hoje, pois, de modo solene, a Igreja celebra a Ressurreição de Maria!

Evangelho (Lc 1,39-56): “Bendita és tu entre as mulheres” (Lc 1,42)

 

Esse trecho do Evangelho está vinculado ao texto da anunciação, como seu desenvolvimento. Ao ouvir a mensagem do anjo Gabriel em relação à encarnação do Filho de Deus, tendo como sinal a gravidez de Isabel, Maria se dirige prontamente para a região montanhosa.

A conexão entre esses trechos nos aponta duas verdades sobre Maria: sua fé e seu compromisso com o Reino. A partir da fé que ela demonstra na Palavra de Deus, temos, em Maria, a verdadeira discípula, que ouve a Palavra e a põe em prática. A fé na Palavra de Deus gera compromisso, que leva o discípulo a realizar, na vida, o que ouviu. Eis o que Maria nos mostra com seu exemplo.

Maria é exemplo de discípula para quem acredita no cumprimento das promessas de Deus, pois, ela mesma está à disposição de Deus para servi-Lo como instrumento dócil. Foi isso o que aconteceu quando disse: “Eis a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (1,38). E, imediatamente, saiu para visitar sua prima. Ao chegar, foi saudada por Isabel. E algo de revelador aconteceu!…

O teor da saudação diz respeito a duas realidades:

A primeira, refere-se à atitude crente de Maria. Ela é bendita porque acreditou. Aqui é exaltada a sua fé! Foi sua total adesão à Palavra de Deus que operou um milagre em sua vida e na vida da humanidade: a encarnação do Filho de Deus.

Daqui passamos para a outra realidade da saudação: “e bendito é o fruto do teu ventre!”. Maria, que carrega, no útero, o Filho de Deus, é identificada com a Arca da Aliança. No Antigo Testamento, a Arca da Aliança era símbolo do encontro entre Deus e a humanidade. No útero de Maria, dá-se o encontro entre Deus e a humanidade, pois Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Maria representa a Igreja que se compromete com o Reino, pela fé na Palavra de Deus e pela exigência de gerar o Cristo para o mundo, através do anúncio, do testemunho e do serviço.

Amados e amadas no Senhor:

Encerramos mais uma Festa de Nossa Senhora da Glória. São 181 anos de homenagens à excelsa Rainha e Padroeira de Valença. Que maravilha foi a Festa do Ano Mariano! Tudo perfeito! Fizemos o nosso melhor!

Como Pároco da Catedral, preciso agradecer, de coração, a todos os que estiveram envolvidos em nossa Festa: Os Bispos e Padres, a competente e amiga Comissão da Festa, os Benfeitores e Parceiros, as Paróquias da Cidade e as Paróquias Marianas da Diocese, as Equipes Litúrgicas, de Canto, Ornamentações e Cerimoniários, o Coral XV de Agosto, as Pastorais, Movimentos e Associações com o nosso CPP, as Equipes realizadoras dos almoços, jantares e promoções, os Artistas e os nossos Funcionários. Agradecer, enfim, os devotos de Nossa Senhora da Glória, acompanhando tudo com grande piedade.

Povo de Valença:

Que Maria Santíssima, Assunta ao Céu, nossa Mãe e Protetora, ajude-nos na grande missão de fazer nossa Cidade, sempre iluminada, cheia de Fé e de Luz!

Muito obrigado!

Amém!

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