ARTIGO DO PADRE EDILSON  PARA O LIVRO DE DOM ELIAS

 

A pedido do Pe. José Antônio, organizador desse Livro dedicado ao nosso querido Bispo Dom Elias, humildemente, apresento algumas considerações acerca de seu fecundo pastoreio em nossa Diocese de Valença.

Como seu Seminarista, lembro-me do dia em que fui conversar com ele na Cúria, apresentando-me como um vocacionado que havia decidido entrar para o Seminário. Era o ano de 1991. Naquela tarde, fui recebido  na Sala de Estar, e num diálogo fraterno e longo, fui recebendo uma acolhida admirável e pude estar certo de que seria conduzido por mãos amigas de um bom e zeloso pastor.

Inicialmente no Seminário Arquidiocesano de São José no Rio de Janeiro e depois no Seminário Paulo VI de Nova Iguaçu, sempre pude sentir sua proximidade e apoio, sobretudo nos momentos de maiores dificuldades. Com palavras de estímulos e orientações seguras, fui dando os passos necessários para as Ordens menores, o Diaconato e o Presbiterato, sempre recebidos por Dom Elias.

Como Padre Novo, tive a graça de ser sempre valorizado pelo irmão Bispo. Assumi a seu pedido as Paróquias de Conservatória e Santa Isabel, o Ministério de Coordenador Diocesano do Batismo e Coordenador da Dimensão Ecumênica da Diocese. A essa altura, já participava da Coordenação Diocesana de Pastoral e Conselho Presbiteral, o que me fez em seguida tomar parte do Colégio de Consultores Diocesanos. Desde Seminarista, nesse sentido, acompanhei de perto a sua missão de Pastor.

Atendendo ao seu convite, para ser o Coordenador Diocesano de Pastoral, função que exerci por oito anos, senti-me cada vez mais valorizado em meu ministério e consequentemente, a grande chance de continuar bem perto dele, encantando-me com seu jeito de conduzir a nossa Diocese: Com competência, seriedade, doação, humildade invejável, firmeza pastoral e fidelidade ao Evangelho.

Não sem dores, sempre foi sereno em enfrentar as críticas daqueles, que não compreenderam sua maneira de administrar, acompanhar a pastoral e decidir sobre os destinos da Diocese. Como alguém que o acompanhou de perto, nos últimos anos e mais ainda, como Cura da Sé Catedral, e não “jogando nenhum confete”, pois além de não ser meu estilo, sei que repudia esse tipo de coisa, tenho que dar o meu testemunho: Dom Elias é um homem humano e pobre. E sua figura destaca-se pela retidão de princípios, pela obediência inconteste dos valores evangélicos e sobretudo,  pelo caráter inquebrantável!

Na Evangelização, proporcionou-nos incontáveis ocasiões de renovação pastoral, quer pela continuidade das Assembleias Diocesanas, quer pelo Sínodo, notadamente destacados pelas Diretrizes de Pastoral da Diocese e a riqueza da confirmação e introdução de muitos Ministérios Eclesiais e Litúrgicos. Sabendo sempre contar com os melhores elementos do Povo de Deus, garantiu que a Pastoral Diocesana estivesse sempre em sintonia com os Projetos e Orientações da Igreja de Roma, do Brasil e de nosso Regional. Valorizou o Clero, as Religiosas e as Lideranças. E quanto teve que corrigir, o fez como um Pai que tem a responsabilidade de educar os seus filhos e filhas. Foi pena, que em certos momentos, a Diocese não foi madura o suficiente, para avançar em águas profundas. As possibilidades Dom Elias garantiu.

Na Administração, seu testemunho foi admirável. Sempre com os pés no chão, fez o que estava ao alcance da Diocese, e priorizando os trabalhos, continuou as reformas, ampliou o Patrimônio e apoiou nossas Paróquias para que fizessem o mesmo. Um último gesto, foi  empenhar suas economias pessoais para melhorias no Sítio da Diocese. Tenho certeza de que, se não fizesse este gesto, tão cedo não poderíamos pensar em algo lá.

Alguns certamente questionaram seu jeito americano de ser, sua resistência em transitar nos ambientes de poder, seu recolhimento, entre outros… Graças a Deus, ele não se incomodou com isso, justamente porque, o essencial em sua missão de Bispo não faltou: Confirmou seus irmãos na Fé e animou-nos na Unidade. Cumpriu de forma excepcional o seu dever.

Foram 23 anos de Episcopado em nossa Diocese de Valença, da qual comemoramos os 90 anos de evangelização. Dom Elias agora é o nosso querido Bispo Emérito. Com o presente Livro de seus Pensamentos, queremos registrar seu legado pastoral e dizer muito obrigado por tudo o que fez por nossa Igreja Particular e que poderá contar sempre com nossas orações. E temos a certeza de que a história saberá dar o merecido valor ao seu pastoreio entre nós!

Ao Pe. José Antônio, o sincero agradecimento pela feliz iniciativa e organização desse exemplar trabalho.

E a Dom Elias, os parabéns por ter sido um dileto Pai, Pastor e Amigo de nossa Diocese de Valença.

Valença, 15 de Agosto de 2015

Solenidade da Assunção de Maria

Ano Jubilar Diocesano

 

Pe. Edilson Medeiros de Barros

Chanceler da Cúria Diocesana, Vigário Episcopal do Vicariato I e Cura da Catedral

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